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  Quem mora em Campina Grande e gosta de aproveitar seu tempo livre ,tem sentido falta de lugares com boa musica, e bom atendimento o que você acha?
 
 
 Realmente falta opção
 Costumar ir a outras cidades por não ter opções em
 Esta satisfeito com a noite Campinense
 Os empresarios do ramo deveriam abrir novos espaço
 
 
   

  Entrevista da vez

 

Maria Godelivie: o cordel sob um olhar feminino

A cordelista Maria Godelivie Cavalcante de Oliveira nasceu no dia 14 de outubro de 1959, em Campina Grande, Paraíba. Seguiu carreira de professora de Língua Portuguesa. Seu primeiro cordel com o título de “O Gostosão” foi lançado em 2001. Com 10 folhetos já publicados, sua motivação de escrever cordéis é o prazer de contar uma boa história e chamar a atenção dos leitores para as atitudes machistas de forma engraçada.  Em entrevista a estudantes campinenses, Maria Godelivie fala sobre a sua vida profissional e seus cordéis.

Por alunos* do 9º ano A da Escola Estadual de Ensino Fundamental e
Médio Severino Cabral - Campina Grande/PB na disciplina 
Língua Portuguesa, sob supervisão dos professores Alyere Silva, 
Bruno Pereira, Carlos Henrique e Thaís Andrade.

Alunos: O que você mais gosta de fazer: ensinar ou produzir cordéis?
Maria Godelivie:
As duas coisas, cada uma me proporciona prazeres diferentes. O cordel satisfaz meu ego, mas eu adoro ensinar.

Alunos: Você usa cordel em sala de aula?
Maria Godelivie:
Uso. Os alunos têm obrigação de ler quatro livros, um por unidade.  Mas o livro é mais difícil deles comprarem, porque é mais caro. Então, eles têm que ler quatro cordéis, que podem ser meus ou de outros autores.

Alunos: Quantos cordéis você já fez?
Maria Godelivie:
Já fiz onze. Quando fiz o primeiro achei que não ia conseguir criar outro, agora, já são onze e existem dois para serem lançados no final de março: “A Galega do Negrão” e “Ciúme Mortal”.

Alunos: De onde vem sua inspiração para escrever cordéis?
Maria Godelivie:
A inspiração depende do momento e do tempo que tenho para escrever. Às vezes relembro uma história que minha mãe contou; outras vezes, vejo ou leio sobre determinada situação e ela fica amadurecendo na minha cabeça.

Alunos: Os seus cordéis são inventados ou tem algum baseado em fatos da vida real?
Maria Godelivie:
Tenho alguns com fatos reais. Também tenho três cordéis com temática sobrenatural e alguns que são invenções, histórias que minha mãe contava.

Alunos: Como é ver seus cordéis lidos por outros autores?
Maria Godelivie:
Para mim é um prazer imenso. Com certeza é a satisfação de todos os autores, escrever e saber que teve um alcance.

Alunos: Qual o cordel que você mais se identifica?
Maria Godelivie:
Não tem um que eu me identifique, mas tem aquele que eu gosto mais que é “A Vingança da Falecida”.

Alunos: Em seu primeiro cordel “O Gostosão” você inverte a idéia proposta pelo título, fazendo com que o marido traidor se torne submisso à mulher. Qual o motivo dessa inversão?
Maria Godelivie:
Primeiro para ficar divertido, segundo para dar uma rasteira nos homens. Meu maior objetivo é pegar no pé dos machistas, pois nosso mundo ainda é muito machista e sabemos que os seres humanos são todos iguais.

Alunos: Você considera o cordel um patrimônio cultural?
Maria Godelivie:
Com certeza, o maior de todos. É a nossa raiz que está aflorando. Alguns dizem que o cordel está sendo resgatado, eu não concordo com isto. Acho que ele esta acordando novamente, pois só resgatamos algo que esta morrendo. O cordel só estava um pouco adormecido.


*Adeilson, Airla, Alex, Alysonn, Camila, Carla, Catarina, Clodonilo, Cleidison, Denise, Diago, Felipe Fagner, Felipe Castilho, Gustavo, Gleybson, Gabriel, Eddymarkx, Géssica, Ilza, Isadora, Jadna, Jéssica, Karoline, Kelvin, Lucas Pereira, Lucas Barbosa, Lucas Ranon, Luiz Felipe, Moaby, Maicon, Pablo, Paloma, Paula, Randson, Ranniery, Rafaela, Renan Martins, Renan Sousa, Robson, Ruan, Shalsley, Samara, Thayse, Wesley.


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Gustavo Dourado: O cordel sendo propagado pela internet

Gustavo Dourado é Baiano de Recife dos Cardosos - Ibititá (região de Irecê)/Chapada Diamantina/Baixo Médio Rio São Francisco. Há 30 anos reside em Brasília. É Cordelista, graduado em Letras (UNB) e Pós-graduado em Gestão(ONU), Literatura, Educação, Folclore, Cultura Popular, Linguagem Teatral e Linguagens Artísticas. Seu trabalho é pesquisado por críticos e jornalistas e foi analisado pela professora, escritora e antropóloga Sylvie Raynal, da Universidade Sorbonne (França), Wolf Lustig, da Alemanha e outros pesquisadores estrangeiros.
 Em entrevista ao CORDEL CAMPINA Gustavo Dourado conta sua relação com a Literatura de Cordel desde o sertão da Bahia até as páginas da internet.

 

Por Rodrigo Apolinário

Cordel Campina: Gustavo Dourado, como foi o seu primeiro contato com a Literatura de Cordel?

Gustavo Dourado: O meu primeiro contato com a Literatura de Cordel e os folhetos ocorreu em minha primeira infância(por volta dos 3 anos), em Recife dos Cardosos, sertão de Ibititá, Região de Irecê, na Chapada Diamantina, lá pelos idos de 1963. Meu pai Ulisses Marques Dourado era lavrador, feirante e dono de venda (comerciante). Tinha um pequeno empório de compra e venda de secos e molhados e materiais básicos de consumo do sertanejo: feijão, arroz, farinha, rapadura, jabá,grãos, doces, querosene e manufaturados, fósforo, alguns remédios e comes e bebes do cotidiano. Não faltava o fumo de rolo e várias marcas de aguardentes, entre outros produtos de consumo do homem do sertão. Foi lá nesse ambiente que travei contato com a cantoria e com a poesia de cordel. Entre os poetas regionais que me recordo estão Zé de Duquinha, cordelista e repentista, irmão de Rota. Eles faziam dupla, eram reiseiros e filhos de Zé Marcolo. Eles fizeram entre outros abcs, o abc de Manuel Quirino, famoso valentão da Chapada Diamantina, pertencente às hostes do Coronel Horácio de Matos. Além dos citados, convém ressaltar a influência do meu irmão-poeta Edenivaldo Alves Dourado(Dene) e do vaqueiro Válter Queiroz(conhecido por Válter Baton), ambos eram cordelistas, gostavam de improvisar e faziam aboios que me encantavam…Não posso esquecer de vários outros nomes de lavradores, vaqueiros, tropeiros, viajantes, aventureiros, trabalhadores rurais, muitos deles advindos da Paraíba, de Pernambuco, do Ceará, de Alagoas, do Rio Grande do Norte, do Piauí e de outros estados do Nordeste. Os baianos também gostam de um cordel e com a mistura de outros nordestinos a inspiração fluía à flor da pele. É preciso lembrar dos ciganos, dos viajantes, dos aventureiros…

Cordel Campina: Você é um grande propagador da Literatura de Cordel via internet e produz seus cordéis, muitas vezes para serem publicados via internet, como você analisa essa união entre Cultura Popular e Novas Tecnologias?

Gustavo Dourado: Antes da Internet li/conheci diversos cordelistas e os divulgava em Brasília, Taguatinga, Ceilândia, nas escolas, nas faculdades, nos centros culturais, principalmente na UnB, no ICC(Minhocão), nos anfiteatros, no restaurante universitário(bandejão), nos anfiteatros, salas de aula, na biblioteca, nos cursos de Letras, Arquitetura, Comunicação, nos centros acadêmicos e no Centro Olímpico(CO)/alojamento estudantil, nos encontros, nas festas e quermesses.
A união entre cultura popular e as novas tecnologias é uma parceria vital para dinamizar e divulgar a nossa literatura de cordel e outras vertentes culturais-literárias. Antes da Internet era comum se ouvir falar na morte do cordel em jornais, revistas, cursos e seminários acadêmicos. Felizmente com a revolução digital e com a linguagem virtual dos computadores, a literatura de cordel ganhou dimensão jornalística e conquistou uma inesperada autonomia e uma boa divulgação no universo virtual. Ganhou gás e agora tem respiração própria. Hoje temos centenas de cordelistas internautas no Nordeste, em São Paulo, no Rio, em Brasília e por todos os estados do Brasil. Agora é preciso selecionar o joio do trigo e primar pela qualidade textual. É preciso garimpar para separar os cristais, o ouro e os diamantes das pedras brutas. Como ocorre em tudo na vida e na literatura tradicional. A Internet no quesito divulgação foi a salvação da lavoura para os poetas sem espaço na mídia, nos jornais, no rádio e na tv. A Internet deu um golpe certeiro na mídia tradicional que está bêbada diante do fenômeno translingüístico das novas linguagens virtuais/digitextuais.
Só com o tempo é que teremos condições de fazer avaliações mais acuradas e analisar os seus detalhes e futuras projeções.

Cordel Campina: Você já publicou cordéis fora da internet?

Gustavo Dourado: Sim. Vários. O mais conhecido é o Cordel do Corno, com arte de Zé Nobre. Foram publicados milhares de exemplares. Teve vários lançamentos e foi objeto de reporatagem na Rede Globo de Brasília e no Correio Braziliense. Esse cordel rendeu várias histórias. Muitos machões se revelaram autênticos cornos desvalidos e desengonçados. O corno aqui referido, além do corno tradicional avança no terreno do corno político, nos cornos politiqueiros e suas politicagens. À época do Festival de Cinema de Brasília(1991), o ministro da Fazenda leu e gostou do Cordel do Corno. Temos muitos cornéfilos na política. Muitos lobos vestidos em pele de cordeiro. Publiquei o Cordel da Criatividade pela Rede Sarah, em trabalho conjunto com os alunos portadores de deficiência locomotora. Desenvolvi cordéis com artistas plásticos/visuais/designers como J. Borges, Pipol,Toninho de Souza, Arthur Campos, Olga Kapatti, Delei, Zé Nobre, Edgar Santana, Márcia Macedo, Yon, Elias e Gustavo Fontele Dourado e webdesigners como Yara Nazaré, Inês Simões, Vânia Diniz, Efigênia Mallemont, Neli Neto, Elizabeth Misciasci, Anna Paes, Safira Lilás, Lígia Tomarcchio, Rosa Pena, Leila Míccolis, Celso Abrali, Garganta da Serpente, entre tantos outros. O Cordel da Aid$(Cordel da Castração) foi publicado pela Revista Víbora e recebeu elogios de Jorge Amado(grande conhecedor da literatura de cordel).

Cordel Campina: Qual o maior obstáculo em propagar a Literatura de Cordel via internet?

Gustavo Dourado: Quase não se tem obstáculo. A dificuldade maior ainda está no acesso. É preciso democratizar o acesso das camadas populares à Internet e ao computador. Se o Ministério da Cultura, as universidades e as secretarias de cultura dos estados e dos municípios fizessem alguma coisa para apoiar seria fundamental. Por enquanto não tem nenhum tipo de incentivo que eu conheça. Só conversas e promessas e muito blablablá e nhenhenhém. Não conheço nada que seja feito para publicar, divulgar e promover os nossos poetas cordelistas…
Até quando o descaso?!

Cordel Campina: Como você analisa algumas discussões acadêmicas que não vêem a Literatura de Cordel como Literatura?

Gustavo Dourado: Isso é masturbação mental e devaneio de pseudos-intelectuais de miolo-mole e de alguns pretensos acadêmicos sem preparo.
Havia muito preconceito das academias de letras tradicionais contra o cordel. Felizmente, aos poucos isso tem sido eliminado. Graças principalmente ao estudo de intelectuais de renome como Ariano Suassuna, Luís da Câmara Cascudo, Manuel Diégues Júnior, Joseph Luyten, M. Cavalcante Proença e de novos intelectuais como Eduardo Diatahy de Menezes, Patrícia Araújo, Rodrigo Apolinário e Emmanuelle Delabosse, Idelette Muzart, Ria Lemaire e Sylvie Debs.
A literatura de cordel, que é bem popular, bebeu em fontes eruditas na Europa antiga e medieval, tem raízes nos trovadores provençais, nos reis-trovadores, nos celtas e lusitanos, nos poetas alemães da antigüidade e nas tradições orais dos povos primevos das mais diversas civilizações do Oriente e do Ocidente. É preciso haver uma maior divulgação da literatura de cordel nas universidades e escolas brasileiras para se acabar com o preconceito. É o mesmo estigma que havia contra o samba, a capoeira, o choro, o xaxado, o maracatu…frescuras das pseudo-elites intelectuais porta-voz da indústria cultural e da alienação. A literatura de cordel é literatura das mais importantes e destacadas porque é literatura do povo, tem alma e tem raízes seculares.

Cordel Campina: Você participa de outros projetos de propagação da Cultura Popular além dos relacionados à internet?

Gustavo Dourado: Sim. Faço divulgação pessoal junto aos amigos e colegas da literatura/leitores. Divulgo os cordelistas em feiras de livros, palestras, encontros, debates, eventos e seminários. Envio relises e divulgação para a Imprensa. Participo sempre que posso de projetos e eventos que incentivam a cultura popular.

Cordel Campina: O Cordel é um instrumento que deve ser utilizado pela educação?

Gustavo Dourado: Sim e muito. O Cordel é um instrumento educativo, pedagógico, criativo, transformador. Paulo Freire, Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e outros educadores conheciam o cordel e por ele foram influenciados em seus métodos e no pensamento educativo-cultural. Deveria ser usado em sala de aula, nas aulas de literatura brasileira, artes plásticas, cinema, nos cursos de alfabetização, em seminários, encontros e debates.

Cordel Campina: Como é a atividade cordeliana em Brasília? Existem organizações de cordelistas?

Gustavo Dourado: Temos alguns cordelistas alternativos e independentes, nos quais me relaciono e alguns mais oficiais e ligados à Casa do Cantador.
Há pouca divulgação do que é feito em Brasília pela Imprensa e pelo mercado editorial. A literatura de Brasília quase não tem espaço na mídia, nas editoras e nas livrarias. A maioria dos autores são independentes e pagam as gráficas para publicar os seus livros. O mesmo acontece com os cordelistas. A maioria (penso eu), hoje e cada vez mais migra para a Internet para conseguir um espaço de divulgação. Os jornais estão cada vez mais fechados e as tvs tornaram-se palcos das “midiocridades” dos “big brothers” da vida.

Cordel Campina: Como você observa o trabalho da Academia Brasileira de Literatura de Cordel?

Gustavo Dourado: O pouco que conheço aprovo e valorizo. Eles deveriam abrir mais espaço para os cordelistas mais jovens, inclusive para compor o quadro acadêmico. Creio que com o tempo a Academia será aperfeiçoada e conquistará mais espaços na mídia. É tudo uma questão de tempo e de empreendimento.

Cordel Campina: Como você imagina o futuro do Cordel?

Gustavo Dourado: O Cordel vai evoluir como todas as outras modalidades literárias. Vai dar samba.
Será popularizado e vai interagir com outras linguagens. Principalmente com a música, o cinema e as artes plásticas (xilogravura, eletrogravura). Vai ganhar cada vez mais espaço na Internet e será cada vez mais reconhecido no exterior e pelas universidades estrangeiras. O Cordel tem linguagem universal. É poesia de raiz e está na alma e no sangue do povo. O cordel é bíblico, apocalíptico por natureza e vai transpor a barreira do tempo e alcançar dimensões cósmicas.

Conheça um pouco do cordel que o Gustavo Dourado desenvolve:
www.gustavodourado.com.br/cordel.htm