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  Cordel na Paraíba

 


Paraíba: Berço do Cordel no Brasil

Por Janaína Lira*

Para ALMEIDA (apud ABREU, 1999) “no princípio não foi o caos, foi Augustinho Nunes da Costa”. Esse poeta se destaca como sendo um dos iniciadores da Poesia Popular na Serra do Teixeira (pelo menos um dos primeiros de que temos notícias). No século XIX surgiram na região vários poetas cantadores que ficaram conhecidos como “o grupo de Teixeira”. Dentre eles destacamos: “Nicandro e Ugulino (...) Francisco Romano, Severino Pirauá” (p.74).

Para MEYER (1980) o poeta Severino Pirauá se destacou no seu meio cultural por sua inventividade, sendo desse modo aclamado como um gênio da arte de versejar; a ele é atribuída várias inovações da cantoria, dentre elas as sextilhas tão utilizadas pelos poetas populares em nossos dias.

A migração das sextilhas do universo poético oral para o papel se deu a partir do trabalho pioneiro de dois paraibanos: Leandro Gomes de Barros e Francisco das Chagas Batista. Esses paraibanos foram responsáveis pela primeira impressão dos folhetos que se tem notícia; também fizeram parte do “Grupo de Teixeira”, embora não fossem cantadores.

Sobre Leandro Gomes de Barros comenta MEYER (1980:08): Autor, editor, proprietário, desenvolvia suas histórias em mais de um folheto ou publicava várias num só, inventando todos os meios para aumentar seus proventos. Ao mesmo tempo lançava as bases de uma nova forma literária: multiplicava muitos modos de contar.

Com base nas considerações acima, podemos afirmar que Leandro Gomes de Barros é um marco para a Literatura de Cordel, pois como ressalta MEYER (1980), ele soube unir a experiência adquirida na Serra de Teixeira onde viveu a um fato muito importante: O surgimento das tipografias no Nordeste, que viabilizaram a publicação sistemática do cordel. Foi a partir dos passos dados por esse poeta que outros puderam trilhar no mesmo caminho, a exemplo de Francisco das Chagas Batista, João Martins de Athayde, dentre outros. Tornando-se responsáveis por uma nova manifestação literária: A Literatura de Cordel.

Muitas são as cidades paraibanas que viram crescer em seus campos cantadores e poetas populares, dentre elas destacamos Guarabira que conforme SOBRINHO (2003:23) “tanto teve participação ativa como foi viga mestre nesse movimento de poesia popular escrita”. No seu seio nasceram poetas que possuem reconhecimento nacional, como Manuel Camilo dos Santos, poeta editor. Esse é, dentre outros, autor do folheto Viagem a São Saruê, que já se tornou um clássico na Literatura de Cordel. Sem contar os inúmeros poetas que lá viveram vindo de outros estados. Essa cidade sediou ainda inesquecíveis encontros de poetas-cantadores como: “Ugulino Sabugi” e “Manoel Cabeceira”, só para citar alguns.

Na Paraíba, como em todo o Nordeste, Os primeiros cordelistas são homens simples, ligados a origem humilde, envolvidos com a agricultura como nos informa ABREU (1999:93) “a maioria deles nasceu na zona rural, filhos de pequenos proprietários ou de trabalhadores assalariados”.

E talvez seja a pouca instrução desses homens que em sua maioria aprenderam a ler sozinhos, ou com o auxílio de familiares e amigos, que tenha sido um entrave para a valorização do seu fazer poético, cuja visão facultada a partir do olhar de pesquisadores eruditos, o reduza sempre a pura imitação.

*Janaína Lira é Professora, Graduada em Letras e Especialista em Literatura.

 Bibliografia:
-SOBRINHO, José Alves. Cantadores, repentistas e poetas populares. Campina Grande-PB: Editora Bagagem:2003