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  Quem mora em Campina Grande e gosta de aproveitar seu tempo livre ,tem sentido falta de lugares com boa musica, e bom atendimento o que você acha?
 
 
 Realmente falta opção
 Costumar ir a outras cidades por não ter opções em
 Esta satisfeito com a noite Campinense
 Os empresarios do ramo deveriam abrir novos espaço
 
 
   

  Cordel em Campina

 



CAMPINA, BOA DE RIMA
Por Janaína Lira*

Campina Grande, situada na serra da Borborema, agreste paraibano com cerca de 372.366 habitantes, tem oferecido importante contribuição para a literatura de cordel. Aqui viveram no século passado poetas como Francisco das Chagas Batista, um dos primeiros poetas-editores de que temos notícias, Manuel Camilo dos Santos, que de acordo com SOBRINHO (2003) chegou a possuir a gráfica Estrela da Poesia de curta duração.

A cidade tem estimulado a leitura e a produção de cordel, através de projetos desenvolvidos pela UFCG em parceria com a prefeitura. Além de projetos como o Cordel campinense realizado em novembro de 2004, e organizado pela Secretaria de Educação, Esporte e Cultura. O evento ocorreu em plena praça pública e teve como objetivo a publicação de dez títulos; desses autores cinco são mulheres, quebrando um pouco a tradição que tem sempre destacado apenas os homens nessa arte.

A Casa do Poeta Popular fundada em 1988 é outra manifestação de incentivo à literatura popular. Situada no bairro do Catolé, conta hoje com cerca de 144 poetas, repentistas, cantadores e emboladores associados. Santino Hermenegildo da Silva (nome de batismo de Santino Luiz) é o atual presidente da Casa, já no terceiro mandato sendo que os dois últimos seqüências. Esse por sua vez, não soube precisar a quantidade de poetas cordelistas associados. Revelou-nos ainda, que para tornar-se membro da Casa do Poeta basta contribuir com uma mensalidade. Segundo Santino, a maioria dos sócios não cumprem com suas obrigações.

Ele ainda declarou que a Casa sedia eventos de pequeno porte durante o ano inteiro (reuniões, recitais, cantorias, pelejas), mas é sem dúvida o “Congresso Nacional de Violeiros” o evento mais importante realizado há vinte e sete anos.

Observamos que embora a literatura popular conquiste novos espaços é necessário um maior empenho das autoridades e a sociedade organizada como um todo para uma melhor divulgação dessa arte em nossos dias.

Lançando um olhar sobre o cordel verificamos que no passado ele era vendido nas feiras livres ou lidos apenas por grupos familiares. Hoje como afirma PINHEIRO e LÚCIO (2002:12) “o folheto vai para as ruas, praças e é vendido por homens e mulheres que declamam os versos, ora cantam em toadas semelhantes às tocadas pelos repentistas.”

É o que podemos conferir nas ruas de nossa cidade onde os folhetos são vendidos nas bancas de revistas.

Sobre os novos espaços de vendas e de leitura que o cordel vem conquistando Manoel Monteiro comenta:

O que acontece com o poeta de hoje é que ele está preparado psicologicamente para vender seu peixe nas universidades, para mostrar o seu trabalho nas escolas de quaisquer nível, isso fez com que os alunos conheçam que [...] existe também o folheto que tem uma mensagem que tem uma cultura.

Embora a nossa cidade tenha se mostrado “boa de rima” acolhendo as sextilhas é inegável que a cultura popular, mas precisamente o cordel pode ocupar maior destaque local, contribuindo para o incentivo à leitura, à produção de novos títulos, além de melhorar também a condição de produção de cordelistas e xilogravuristas que encontram entraves na hora de produzir sua arte. Sobre essas dificuldades Antônio Lucena declara: “Olha eu não reclamo da vida, mas tem vez que o dinheiro não dá para fazer tudo e falta madeira. Agora mesmo estou precisando empenhar umas coisinhas minhas para comprar madeira (...)”. 

“Campina Grande, cidade feita por forasteiros”, como afirma o poeta popular, Manoel Monteiro, oferece sem dúvida um bom número de poetas cordelistas que nos oferta a exemplo de Antônio Lucena, Antônio da Mulatinha, que escrevem há décadas em nossa cidade, ou ainda nomes mais recentes que surgem como Astier Basílio, Maria Godelivie, dentre outros.

*Janaína Lira é Professora, graduada em Letras e especialista em Literatura.

Bibliografia:
                -PINHEIRO, Hélder; LÚCIO, Ana Cristina Marinho. Cordel na sala de aula. São Paulo:Duas Cidades,2001
                -SOBRINHO, José Alves. Cantadores, repentistas e poetas populares. Campina Grande-PB: Editora Bagagem:2003